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Policiais são suspeitos de favorecer transportadoras de carga no DF
Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br
Uma grave denúncia de enriquecimento ilícito e improbidade administrativa envolvendo um grupo de policiais rodoviários federais e o alto escalão do órgão está sendo investigada pela Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF). O sindicato da categoria enviou um dossiê para os procuradores e para o Ministério da Justiça delatando suposto esquema de favorecimento a empresas de transporte de carga, que não sofreriam qualquer tipo de fiscalização nas rodovias federais.
De acordo com o relatório protocolado pelos representantes do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do DF (SINPRF) no Ministério Público Federal (MPF), policiais rodoviários contariam com a ajuda de familiares para atuarem como laranjas e figurarem como supostos donos das transportadoras. Os testas de ferro abririam empresas de transporte e celebrariam contratos com grandes empresas. As cargas transportadas por meio de carretas – conhecidas como cegonhas – não sofreriam qualquer tipo de fiscalização nas rodovias por, supostamente, pertencerem a policiais e servidores que ocupam cargos estratégicos nos quadros da PRF.
O dossiê aponta que o dinheiro entraria fácil na conta dos policiais, principalmente pelo fato de as carretas não pagarem imposto, por não ser cobrado peso extra nos postos da Receita Fazendária. Irregularidade sobre as notas fiscais relacionadas às cargas transportadas também não seriam cobradas. O vaivém dos veículos pesados seria frenético nas estradas federais que passam por Valparaíso, Cristalina e Águas Lindas, cidades no Entorno do DF e que pertencem à jurisdição do 1º Distrito da PRF.
Ameaças
Com medo de represálias, já que o presidente do SINPRF, José Nivaldino Rodrigues, teria sido ameaçado de morte em razão da denúncia, ninguém assinou o dossiê entregue na PRDF e no Ministério da Justiça. De acordo com a denúncia, em meados de 2007, foi criada uma empresa chamada Red Falcon, que fica sediada em Santa Maria. A companhia de transporte seria gerida por laranjas que possuem laços familiares com o grupo de policiais investigados.
Em novembro do ano passado, a procuradora federal Ana Paula Mantovani instaurou um inquérito civil público para investigar a improbidade administrativa cometida pelos policiais rodoviários federais. Na ação do MPF, as investigações tem como alvo "apurar um suposto esquema de propriedade e favorecimento indevido de empresas transportadoras de automóveis (cegonhas), estruturado com a finalidade de obter passe livre dos seus veículos nas fiscalizações realizadas pelos postos da Polícia Rodoviária Federal no DF".
No rol de pessoas investigadas estão o policial rodoviário e ex-chefe do 1º Distrito da PRF, Alex Sandro Klein da Fonseca. Ele foi o único servidor exonerado pela PRF do cargo de chefia no 1º Distrito da PRF que fica próximo a Valparaíso. Mas como é concursado, continua nos quadros da corporação.
A esposa de Klein, segundo informações do Ministério Público, seria uma das supostas sócias da empresa Red Falcon, que faturaria com o transporte de cargas não fiscalizados. A outra sócia da empresa seria Lua Selene Almeida, irmã de André Geraldo da Silva Almeida, também policial rodoviário. O Jornal de Brasília ligou para o celular que consta no registro da empresa como sendo de Lua, mas a ligação não foi atendida.
Leia mais na edição desta sexta-feira (16) do Jornal de Brasília.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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