O POVO ONLINE
04 de fevereiro de 2010
De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Ceará (Sindipostos), o litro do álcool deve oscilar entre R$ 2,10 a R$ 2,20 já na segunda-feira
O consumidor pode preparar o bolso. A partir da próxima segunda-feira os preços do álcool e do Gás Natural Veicular (GNV) deverão subir nas bombas em Fortaleza. O anúncio é do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Ceará (Sindipostos). Segundo o vice-presidente do órgão, Guilherme Meireles, o litro do álcool, que varia entre R$ 1,82 e R$ 2,05 pode subir para uma variação de R$ 2,10 a R$ 2,20 (um reajuste médio de 15%).
O GNV, que atualmente custa R$ 1,79, já sofreu um aumento de seis centavos para o bolso dos empresários do setor, mas ainda não foi repassado ao consumidor. ``Estamos em negociação junto à Secretaria da Fazenda (Sefaz) para que a gente consiga diminuir a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), mas caso o resultado não seja positivo, não vamos mais conseguir segurar até a semana que vem``, comenta o vice-presidente do Sindipostos.
Meireles destaca que entre as causas do aumento, estão a decisão das usinas de fabricar mais açúcar para exportação do que para produção de combustível e a falta de incentivo do Governo Federal em criar um estoque regulador de álcool. ``O incentivo à produção dos carros flex foi dado, mas não feito isso no que se refere ao consumidor final``, diz. Nos postos o reajuste já gera descontentamento. Para o gerente operacional Valderez Guimarães, que gasta cerca de R$ 80 por semana com combustível, a decisão vai interferir diretamente no bolso. ``Vou ter que negociar com meu patrão, já que preciso do carro para realizar meu trabalho``, explica.
Gasolina
O litro da gasolina, que atualmente oscila entre R$ 2,42 e R$ 2,69 também corria o risco de subir para valores entre R$ 2,78 a R$ 2,80 (variação média de 12%), mas o anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira, 3, tranquilizou os empresários. A redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) a partir da próxima sexta-feira, 5, para tentar impedir o aumento no preço final. A medida, que vale até o dia 30 de abril, custará R$ 91 milhões aos cofres públicos. ``É um alívio, já que o aumento seria inevitável``, explica o vice-presidente do Sindipostos.
A mudança no tributo é uma forma de compensar a recente redução da mistura de álcool na gasolina que diminuiu de 25% para 20%. ``Eu queria anunciar a redução da Cide sobre a gasolina em R$ 0,08 por litro. Hoje, a Cide é de R$ 0,23 e nós estamos reduzindo para R$ 0,15``, disse o ministro. Segundo Mantega, a mudança na Cide já foi adotada em anos anteriores. ``Em 2008, quando houve a elevação do preço da gasolina, reduzimos a Cide. Em 2009, foi o contrário``, lembrou.
Para o economista Lauro Chaves, o reajuste, maior do que a inflação do ano passado (4,31%) reflete diretamente em toda a economia. ``O certo seria mais competitividade do setor e menos intervenção do Governo para que o consumidor tenha poder de escolha``, alerta.