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A vida é inegociável pela sua exclusiva razão transcendental de auto pertencer-se. Compete ao ser humano mantê-la como produto de um milagre divino, numa caminhada de motivos, no tempo limite. Tudo o que ferir os direitos inerentes à liberdade de uma vida, seria a marca da violência contra o milagre desta plenitude única e maravilhosa do existir. O raciocínio humano tem sido injusto e responsável pelos desequilíbrios reinantes nos universos dos que comandam suas próprias existências, com implicações a outros setores vitais. Isso torna o mundo em uma praça de guerra. As nações expedem suas leis e os governos tentam cumpri-las como garantias de ordem social. Nem por isso, o homem continua subestimando o valor intrínseco de sua vida e o preço moral dos seus atos. Há os que já têm suas existências como um inferno, por eles transformadas, e desvalorizam a vida do próximo em atos de egoísmo e prepotência.
O que passa pela mente de um motorista que se embriaga e insiste em dirigir seu veículo, a despeito da advertência de amigos e da própria consciência crítica que não o perdoa? Em seguida o desastre com perdas de vidas, saldos de feridos irrecuperáveis e a dor dos entes queridos inocentes!
Ainda assusta a soma dos que foram flagrados embriagados na direção, postos frente à lei, cassada sua carteira, multados e punidos e depois reincidentes, causadores de vítimas fatais. Eles têm sido uma resposta desanimadora ao respeito à vida.
Conversamos com Josué, 26 anos de idade, limpador de carros, equilibrado numa velha muleta, substituindo sua perna esquerda, amputada a altura da virilha. Ainda adolescente, sentado a porta de sua casa, foi atropelado por um carro dirigido por motorista embriagado. Filho único de mãe viúva, a vítima esteve às portas da morte. Sua vida tem sido de pobreza e humilhações. Ele mesmo confessou que o responsável pela sua miséria continua guiando embriagado, e circulando frente a sua casa, como a desafiar sua vítima. Dramas iguais se multiplicam como resposta de violência aos sagrados direitos à vida, que é transcendental. É nossa.
Fonte: Diário do Nordeste (Ideias) - 19.02.2010
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