| "Eu ouvi dizer, mas isso é verdade? " Assim como na literatura, o mundo dos veículos é cheio de "causos". O Suplemento foi atrás de desvendar o que é ou não realidade
No seu cotidiano de oficina, José Pompeu, gerente de pós-vendas da Vouga - revendedora Fiat, é acostumado a ouvir crendices que foram transmitidas de geração em geração. Trabalhando no meio há quase 30 anos, verificou que a maioria não passa de folclore, conversa fiada, entretanto, outras têm um fundo de verdade.
Ligar o carro com a luz acesa, som tocando e o ar-condicionado ligado causa problemas ao automóvel? De acordo com Pompeu a resposta é positiva, pois isto permitirá que a bateria fique sobrecarregada e com o passar do tempo, "ela poderá ´arriar´ precocemente, isto é, antes de sua vida útil", declara.
Para quem gosta de andar com tanque cheio, aí vai um breve recado: é saudável para qualquer tipo de veículo. Para o profissional, este comportamento evita a queima da bomba de gasolina e haverá uma maior economia de combustível. "Já para aquele que gosta de trafegar na reserva do tanque o efeito é o contrário. Além de consumir mais combustível, danifica a bomba", diz o profissional.
Pompeu conta que existem algumas situações para quem gosta de economizar gastos com combustível. Uma delas é desligar o carro em congestionamento - uma situação frequente em Fortaleza em horários de pico e já um tormento para os paulistas.
"Este comportamento não só economiza como contribui para a melhoria do ar que respiramos, pois haverá uma menor emissão de gases poluentes para a nossa atmosfera", ressalta o profissional.
Outras crendices
Descer com o carro em ponto morto, na "banguela" faz bem? Para Marco Antônio, chefe de oficina da Fortal - revendedora Ford - essa prática é totalmente equivocada e nunca deve ser feita.
"Com o advento de carros a injeção eletrônica, quando uma pessoa tira o pé do acelerador, automaticamente, corta-se uma a injeção de combustível evitando o desgaste. Além do mais, essa manobra é super perigosa e compromete a segurança", acrescenta.
Marco aponta que um carro desengatado, isto é, descendo em uma ladeira em ponto-morto, por exemplo, não conta com auxílio do freio motor, peça que contribui para uma melhor dirigibilidade e não sobrecarrega os freios - que podem superaquecer, prejudicando a eficiência", diz o especialista, desmitificando o assunto.
Uma das lendas mais comuns e bastantes reproduzidos de boca em boca diz que superar lombadas com o carro na diagonal (meio de lado) é melhor.
Mito vencido
Para Marco, apesar da suspensão estar preparada para esse tipo de procedimento, o correto é transpô-la com o carro reto, pois o motorista irá causar menos torção no monobloco e os amortecedores trabalharão com a mesma intensidade, sendo menos sobrecarregados dessa maneira.
Segundo ele, a situação pode piorar quando um motorista se depara com lombadas irregulares, aquelas feitas por moradores. "Dependendo da forma que se passe acarreta o desalinhamento das rodas e outros componentes úteis da suspensão. Nessa hora, é preciso cautela e passá-la bem devagar", explica.
Potência
Carro a álcool consome mais que gasolina? Para Paulo Nunes, chefe de oficina da Codisman - revendedora Chevrolet, não há como escapar. "Primeiro porque a gasolina produz mais energia na queima e, para compensar essa diferença, o carro a álcool injeta mais combustível no motor. Em contrapartida, o motor movido a álcool é mais potente que a mesma versão a gasolina", acrescenta Paulo.
Dar a partida com a embreagem acionada? Segundo ele, apesar de não haver recomendações oficiais dos fabricantes, é benéfico ligar o carro pisando na embreagem, pois alivia-se a carga no volante do motor. "Além de não forçar o sistema de transmissão, o motorista não corre o risco de dar a partida com o carro engatado, evitando possíveis trancos", pondera.
Iniciante
Apoiar o pé na embreagem danifica o carro? Verdade. Esta prática, segundo os especialistas, é bastante comum principalmente em motoristas iniciantes. Consequência? Causa um desgaste prematuro na embreagem do veículo, que deve ser acionada apenas na troca de marchas. Uma dica é manter o pé "descansando" ao lado do pedal quando a embreagem não for acionada.
Outros casos
"Mulher grávida não pode dirigir automóvel". Essa frase não passa de mito. "Pode, sim. Entretanto, desde que ela respeite a posição do cinto abaixo da barriga e, claro, siga a orientação médica", revela o clínico-geral Agnaldo Magalhães.
Sobre a parte da pintura em veículos, corre no boca a boca que a água e querosene recuperam o brilho da pintura. Para o pintor Alberto da Silva, isto é totalmente irreal. "O querosene é muito abrasivo e pode estragar totalmente a pintura", aponta.
Se o alarme disparar e não for desligado, ele poderá descarregar a bateria do veículo? "É a mais pura verdade", salienta o profissional. Isto acontece por descuido quando alguém deixa a porta aberta e não percebe, por exemplo. A tendência é que ele (o alarme) vá tocar até descarregar, comprometendo desta maneira a bateria", finaliza.
JOTA POMPÍLIO - REPÓRTER
(Fonte: Diário do Nordeste - 27.01.2010)
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